domingo, 10 de agosto de 2008

Uma pausa na poluição

Pode parecer propaganda ou quase que o valha o título deste post, mas é a mais pura verdade. Depois de 5 meses na capital chilena, enfim consegui reunir tempo e dinheiro para poder conhecer a Valparaíso e Viña del Mar.

Antes de tudo, faz-se necessário chamar a atenção que só pelo fato de passar pelos morros que circundam Santiago, que evitam que entrem os ventos e faz com que a poluição toda se concentre na região metropolitana, além de dar um ar muito seco a cidade, deixa o indivíduo muito aliviado. Como é bom respirar!

A região porteña, principalmente a parte central de Valparaíso, cheira a peixe. No entanto, nota-se que as pessoas são mais atenciosas e alegres, talvez por não haver a pressão climática da capital, e todo local parece ser digno de uma convivência mais harmoniosa.

Viña e Valparaíso tem ótimos mirantes e um pôr-do-sol espetacular, mas a água é super gelada, como convém a maioria das praias do Pacífico. Dizem que no verão, em função das altas temperaturas, aparecem alguns corajosos que tomam banho de mar. Quem não se parece muito preocupado com isso são os pássaros, como as fragatas e os pelicanos que saboreiam os peixes "exóticos" (salmão, por exemplo) para quem vem do lado do Atlântico.

No final das contas, foi um saldo positivo, para quem estava pensando em conhecer uma cidade curiosa do interior do Brasil, como a da foto ao lado. Bah! Imagina pegar um ônibus para esse local?

sábado, 21 de junho de 2008

Talvez felicidade esteja...

Retomando a palavra, peço desculpas pela ausência. O mestrando tem me tomado o tempo, além do sem número de mudanças de endereço, o que acredito que não será mais necessário daqui por diante.
Atualmente, o país do lá de cá da cordilheira está passando por uma crise na educação (será que é só aqui?), e isso se nota pelas manifestações que se tem notícia na imprensa nacional e internacional, e o que podemos ver com nossos próprios olhos nas ruas santiaguinas. Tudo isso em função de uma lei que, segundo alunos de escolas/universidades públicas e professores, garante o lucro ao Estado. Ahn? Antes de tudo, é necessário dizer que a educação pública no Chile não é gratuita, e quando se fala de universitária, as universidades públicas são as mais caras do país.
Nas ruas há protestos quase que diários, que muitas vezes acabam em confronto entre polícia e estudantes, como uma situação que eu presenciei, em que se utilizou bombas de gás lacrimogênio.
Fora os problemas com educação, pode se notar que a saúde pública também é paga, e quem não tem condições deve se declarar indigente para ser atendido sem pagar, além de ficar esperando numa fila com limites de vagas.
No âmbito acadêmico, vê-se um bom horizonte, pois há relação de algumas universidades daqui com instituições de ensino e pesquisa da Europa e América do Norte. Por exemplo, os títulos obtidos na Universidade do Chile são reconhecidos sem maiores problemas nos Estados Unidos.
Se alguém acha que vai vir pra cá e "pasar piola" (passar bem), que se prepare para enfrentar restaurantes e padarias que servem porções pequenas e caras. Buffet livre aqui é raro e caríssimo. Além disso, parece que a pesca do salmão será prejudicada nos próximos anos por algas asiáticas trazidas pelos navios. O negócio é se contentar com o vinho excelente e barato.

terça-feira, 1 de abril de 2008

¿Cachai?

Para quem fez algum curso de espanhol, quando chega no Chile, pode pensar que jogou dinheiro no lixo, em função de não conseguir entender muitas das tantas expressões regionais, além da forma distinta como pronunciam alguns sons. Acontece que isso não é sentido somente pelos que não são falantes nativos da língua de Cervantes, mas também por gente que compartilha o mesmo idioma e são de outros países.
De uma forma didática, à medida que apareçam os casos, proporei algumas maneiras de leitura. Para começar, o “s” depois de vogal é aspirado (como fazem no “r” os cariocas em palavras como “porta”) ou, muitas vezes, desconsiderado. Neste texto, sempre quando houver caso de aspiração de “s”, aparecerá uma linha baixa (_). Isso fica premente quando se fala em dinheiro: “Do_ dolare_”, “Tre_ peso_”, “mil millone_”...Outra pronúncia interessante, mas que já se conhece um pouco em função de algumas músicas que de Alejandro Sanz (corazón partío), é o caso do “d” entre vogais que some. Aqui, este exemplo de “d” que não se pronuncia será representado por (d). O particípio é um dos casos clássicos: calla(d)o, habla(d)o, perdoa(d)o, percibi(d)o....
Esses dois exemplos de pronúncias diferenciadas podem nos causar confusão. Imaginemos alguma ocasião num restaurante especializado em peixes, quando se aproxima uma garçonete e que nos faz a seguinte pergunta: “Quiere_ pe_ca(d)o?”. Primeiro, se não conhecemos a perda do “d”, já ficará difícil de especificar o que ela está falando e, se temos esse conhecimento, ficará no mínimo dúbia a pergunta se ela está se referindo a “pescado” ou “pecado”. O sujeito pode se perguntar se todas as garçonetes do país são paqueradoras assim.
Acredito que o pode trazer maiores problemas são algumas palavras que têm uma mesma forma escrita, mas que não tem o mesmo significado. Se alguém nos convida para dançar a “cueca”, por favor, que não se pense que é para “dançar só de cueca”, mas sim é a dança nacional na qual todos tremulam seus lenços.
Se alguém brada, “que fome!”, não quer dizer que este ser está faminto. Muito pelo contrário, ele está dizendo algo como “putz!”, “que merda”, “que roubada”. Na mesma linha segue a expressão “que lata!”, que não quer dizer, como diziam nossos pais, quando um carro é estupendo.
O grande problema é quando eles se emocionam, daí desenrolam a língua e tu não sabes o que para que lado correr. No entanto, algumas marcas nos dizem quando o falante acabou uma oração ao dizer “cachai?”. É uma expressão que não reconhece nível social, credo ou religião, pois a utilizam. Será algo como o nosso clássico “né?”.
O patrimônio lingüístico nacional é o “huevón” (pronuncia-se “gueon”). Não há uma tradução literal para essa palavras, ainda mais que é utilizada nas mais variadas situações possíveis, como num xingamento em pleno engarrafamento ou numa entrada dura num jogo de futebol (“qué hací huevón?”), ao se falar com um amigo (“cómo tai huevón?”), chegando a ter gênero (“la huevona”).
Quando já temos um pouco mais de confiança de alguma pessoa, ao invés de ela dizer “cómo estás?”, ela te diz “cómo tai?”. Isso acontece sempre na segunda pessoa do singular seja em verbos terminados em AR (esperar = esperai), ER (querer = querí) e IR (poner = poní).
Bom, se o indivíduo que fez curso numa escola de idiomas e aprendeu somente a forma canônica da língua não rasgou o diploma que recebeu por ter completado o curso, ele aproveitará muitíssimo sua estada no país, ¿cachai?

terça-feira, 25 de março de 2008

Quem se atreve a me dizer...

Amanhã eu completo minha segunda semana na terra de Neruda, e algumas coisas já estão bem claras pra mim: 1) se se procura alguma coisa de qualidade, ela é cara; 2) o chileno é desconfiado, por isso joga na defensiva; 3) pra um estrangeiro alugar um quartinho é um saco; 4) há uma valorização do ensino superior no país, principalmente quando o assunto é bolsa de estudos.
Santiago tem em torno de 6 milhões de habitantes, o que representa um pouco mais de 1/3 da população do país que é de 16 milhões de habitantes. Assim sendo, fica difícil de acomodar todas as pessoas numa cidade só, o que faz um apartamento pequeno de um quarto em uma região como a Azenha custar uns $180.000 (setenta mil pesos) que equivale a uns R$ 700. Ah! A moeda é um capítulo a parte, porque ainda faço qualquer negociação com receio pois não tenho noção dos valores aqui. Neste momento, temos R$ 1 = $ 261.
Com tanta gente numa cidade, o transporte tem que ser bom, e nesses primeiros dias me pareceu andar perfeitamente a coisa, pelo menos no eixo central. A cidade tem uma sistema de ônibus integrado, onde se utiliza um cartão de débito, que une 5 linhas de metrô com uma frota de ônibus que vai aos locais mais longínquos. O problema é que na hora do rush, todo mundo quer pegar o trem, assim sendo a municipalidad (prefeitura) decidiu cobrar a mais nas horas de pico, para que as pessoas não se amontoem no metrô.
Para quem sai de um calor tórrido, em que impera a umidade e o suor, Santiago é uma cidade que chega no máximo aos 30 graus. No entanto, em função de seu clima seco, a pele sofre com os efeitos dos raios solares, desta forma o protetor solar é básico.


Nas casas noturnas, o que manda é o reggaeton, apesar de haver locais que toquem salsa e cumbia.
Essas são as minhas primeiras impressões.

Abraço!

segunda-feira, 24 de março de 2008

Caroneando por aí...

Vai uma carona aí?
Este blog é um meio de trazer curiosidades das nossas relações do nosso país e de nossa gente com os países vizinhos. É como um manual de auto-ajuda pra quem tá de passagem na vida. Para "passagem", leia-se "qualquer coisa que esteja de passagem".